Então, pra fechar com chave de ouro o mês de outubro, lá vamos nós!
Trouxe hoje um livro diferente, inusitado, e de certa forma histórico. O Diário de Frida Kahlo, além de ser uma obra muito bem escrita, conta com toda a sinceridade, humanidade e devaneios de uma pessoa que escreve sobre si.
Antes de iniciar a resenha, irei contar como conheci a Frida e sua história, que apesar de triste se tornou conhecida, pela persistência e coragem de uma mulher cheia de sonhos. Aos 9 anos de idade na escola, em uma aula de artes a professora apresentou algumas telas da Frida, e antes de pedir para que tentássemos reproduzi-las, ela contou a história da Frida, do acidente no bondinho, das 35 cirurgias que ela enfrentou, e da fama que mundialmente conquistou depois de seus quadros. Confesso que fiquei chocada com a história, e comecei a prestar atenção nos detalhes dos desenhos, e que todos eles traziam consigo uma história, um sofrimento, um grito que não foi dado, apenas projetado em tela.
Depois mais tarde, um grande amigo me emprestou o Diário da Frida Kahlo, livro este, que eu não o devolvi até hoje! Muito tempo após conhecer a história dela, eu peguei esse diário e só em ver o desenho da capa, me lembrei como se fosse ontem.
Prefácio:
"Publicado na integra pela primeira vez, o surpreendente diário ilustrado de Frida Kahlo documenta os dez últimos anos de sua vida turbulenta. Este registro cativante, assombroso, íntimo, guardado a sete chaves durante cerca de quarenta anos no México, revela várias novas dimensões no que se refere à tão complexa personalidade dessa fantástica artista mexicana.
Apesar da grande quantidade de recentes publicações a respeito dessa mulher extraordinária, a arte e a vida de Frida Kahlo ainda fascinam o mundo. Este documento pessoal, publicado numa edição fac-símile completa e em cores, ajudará a entender melhor a sua visão única e poderosa e sua profunda coragem. (...)"
O livro é bem estruturado na questão de ilustração, é escrito a canetas e lápis coloridos, com a própria letra da Frida, as vezes letra solta as vezes emendada, está também no idioma mexicano, e ela escrevia muito bem.
Apesar de eu não conhecer muito o idioma, consegui entender muito bem o livro, pois a cada capitulo tem uma introdução do Carlos Fuentes, um escritor também mexicano que faz comentários dentro do livro a respeito dos pensamentos e obras da Frida, ele também escreve de forma muito clara, compara o estilo de Frida com outras épocas históricas. Embora tenha a visto somente uma unica vez, como cita no livro, ele parece conhecê-la mais do que ninguém.
O livro também traz muitas fotografias da artista, além de suas obras, é surpreendente!
Frida Kahlo hoje é conhecida por ter sido uma grande artista mexicana, e também um simbolo feminino bastante forte entre as mulheres, pela iniciativa que teve em se tornar pintora numa época em que a mulher não tinha liberdade na sociedade cultural, pela força e persistência que manteve enquanto lutava para se recuperar do acidente, pelo amor que conseguia manter por seu esposo Diego Rivera, também artista, e que era adúltero, e pelas várias formas de pensar e pintar que só ela tinha. Uma mulher que enxergava muito além do seu tempo.
Uma última dica, assistam o filme dela, é tão interessante quanto o livro, e apesar de não ser recente, nos remete a reflexões sobre politica, cultura e artes do mundo moderno.



